Ex-atriz pornô, Regininha conta como abraçou Jesus e tirou o Poltergeist da vida e do nome.

A reportagem havia combinado a entrevista para as 16h30. Já eram 17h15 e nada de ela aparecer, até descobrirmos que, na verdade, Regininha Poltergeist já estava entre nós. Um dos maiores símbolos sexuais do Brasil nos anos 90, a louraça belzebu da música “Kátia Flávia”, ex-capa da Trip 31 (até hoje um dos ensaios mais comentados da revista), da Playboy e da Sexy, passou batido. Pudera. Pouco restou da mulher que interpretou uma santa com o poder de curar as pessoas pelo sexo em Santa Clara Poltergeist, espetáculo de Fausto Fawcett que transformou a Regininha do Méier em Regininha Poltergeist. Também não havia sinal de Básico instinto, também de Fawcett, espetáculo em que ela cantava e dançava ao lado das igualmente belas Marinara Costa, Gisele Rosa e Kátia Bronstein (a cantora Kátia B.). Ou de suas participações picantes nas pegadinhas do Faustão e em Zorra total. Muito menos de Perigosa, Sex City ou Regininha sem censura, filmes adultos da produtora Brasileirinhas que estrelou entre 2007 e 2009. Poucos perceberiam que a dona desse currículo todo era aquela mulher que entrou enrolada numa canga e com cabelo molhado da praia.

De certa forma, não é mesmo. Em 20 de dezembro de 2008, Regininha, hoje com 39 anos, voltou a ser Regina Soares de Oliveira e batizou-se na igreja neopentecostal Bola de Neve, na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Quem a apresentou à religião foi o coreógrafo Zé Reinaldo, velho amigo reencontrado na rua sem querer. “Eu estava muito mal, com vontade de morrer. Tinha uma doença espiritual muito grave, que afetava meu corpo todo. Pele, fígado, sangue… Estava tão deformada, que ele nem me reconheceu. Se você está com o corpo aberto, pega um monte de doenças.”

Em sua primeira visita, quem a recebeu de braços abertos e participou de seu batismo, no melhor estilo “as voltas que o mundo dá”, foi Marinara Costa, companheira no grupo de Fausto, com quem não falava desde 1993. Um rápido flashback: Marinara, ex-mulher de Fernando Vanucci, teria dado um mata leão em Regininha, na época namorada do apresentador, num camarote do primeiro show de Madonna por aqui. Ninguém sabe direito o que aconteceu, mas Marinara entrou com um processo por difamação contra a então Poltergeist, que por sua vez deu queixa da agressão na polícia. Regininha jura não se lembrar de nada. “Deus já lavou a gente com o sangue dele e tudo novo se fez”, diz, enquanto olha como que buscando aprovação para Miriam, líder da igreja, que não saiu de nosso lado durante todo o dia.

“A forma que eu ganhei o dinheiro foi o diabo quem deu. E o diabo dá as coisas de colher e tira de concha”.

Boladonas
Para Regininha, seu passado a condena. O ex-marido jogou fora a maioria de suas fotos sensuais. Com as que restaram, ela fez o mesmo.  Os filmes pornográficos, diz nem lembrar mais quantos foram. “Foi por dinheiro, mas quem manda não é ele, é Deus. Da forma que eu ganhei foi o diabo quem deu. E o diabo dá as coisas de colher e tira de concha.”

Desde que se converteu, decidiu não trabalhar mais usando o corpo. Com o filho Lucas, de 5 anos, para sustentar, passou a confeccionar sandálias, que vendia pessoalmente. “Parecia que eu estava em outro planeta, me redescobri. Vinte anos de meio artístico e eu lá, dedos sujos de cola, fazendo sandália.” Depois, trabalhou numa loja de roupas e, há quatro meses, virou vendedora de geladeiras nas Casas Bahia, onde permaneceu até um dia antes do nosso encontro. “Tudo que eu queria era ser uma pessoa normal, trabalhar numa coisa normal. O problema é que eu não sou normal. Tenho arte na veia. Posso trabalhar em algo tradicional que vou dar um jeito de aparecer, de ser a Regininha.”

Empolgada, conta por que pediu demissão. Está no piloto do programa de TV Boladonas, produzido pela própria Bola de Neve, ao lado das também convertidas e ex-capas de revistas masculinas Roberta Foster (a Eva, do Zorra total), Luciana Bessa (ex-atriz de Malhação), Paula Hunter (ex-cantora country, filha do diretor Carlos Manga), Márcia Dornelles (musa dos anos 80) e Marinara. Será algo nos moldes do programa Saia justa, com as participantes partilhando suas opiniões e experiências sobre temas como drogas e sexo, sempre, claro, sob uma ótica cristã. A ideia do projeto, que a igreja pretende emplacar na TV aberta, é da pastora Priscila Mastrorosa.

Voltamos para a igreja. Regininha cumprimenta todo mundo. Há um ano e dois meses, é ali que ela passa seus fins de semana. Seus amigos atuais são todos fiéis também. Solteira, diz que o próximo namorado terá que ser “um homem de Deus”. Até ele chegar, ela espanta os pensamentos impuros com as dicas da pastora: banho gelado e ginástica. “Bem-vindos a nossa panela de pressão”, diz o pastor Gilson iniciando sua fala. Com 3 mil pessoas espremidas no salão, algumas em pé, a comparação faz sentido. O tema da pregação: o batismo e a necessidade de renascer. Regininha e Marinara cantam em plenos pulmões, com as mãos para o alto e olhos fechados: “Nasci de novo. Em ti, sou mais que vencedor”.

Marinara conta tudo
Pausa para as fotos na praia. Cruzamos com Marinara, que abraça a amiga. “Há 15 anos, vocês diriam que estariam aqui assim, com uma Bíblia na mão?”, pergunto. “Jamais”, elas respondem. A reviravolta de suas duas ex-dançarinas Fausto Fawcett classifica como “ironias da vida”: “Não esperava, mas não chega a ser uma surpresa”. Diferentemente de Regininha, Marinara conta sua vida inteira. Diz que foi viciada em antidepressivos, que tentou se suicidar cinco vezes. Ia à academia três vezes por dia, seis vezes por semana. “Desperdiçava energia em várias coisas, agora concentro tudo em Jesus”, diz, com um corpo que não deve nada ao da época de Básico instinto. Para ela, a religião “não é autoajuda, mas ajuda que vem do alto”.

Empolgada, conta por que pediu demissão. Está no piloto do programa de TV Boladonas, produzido pela própria Bola de Neve, ao lado das também convertidas e ex-capas de revistas masculinas Roberta Foster (a Eva, do Zorra total), Luciana Bessa (ex-atriz de Malhação), Paula Hunter (ex-cantora country, filha do diretor Carlos Manga), Márcia Dornelles (musa dos anos 80) e Marinara. Será algo nos moldes do programa Saia justa, com as participantes partilhando suas opiniões e experiências sobre temas como drogas e sexo, sempre, claro, sob uma ótica cristã. A ideia do projeto, que a igreja pretende emplacar na TV aberta, é da pastora Priscila Mastrorosa.

 

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